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Novo coronavírus e seu impacto no mercado de eventos

13 de abril de 20202 comentários.

Depois de um 2019 que começou lento mas que acelerou no segundo semestre, as empresas de eventos, dentre elas o Lajedo, esperavam um 2020 de crescimento. Tudo indicava que esse seria um ano excelente mas o surto de coronavírus paralisou a economia global no primeiro trimestre, gerando incertezas de toda ordem. Diante desse quadro, entrevistamos nosso CEO, Ugo Salema, para que ele traga sua visão sobre o momento atual e sobre o mercado pós-COVID-19.

Coronavírus e o mercado de eventos, entrevista com Ugo Salema, CEO do Lajedo

Como a crise do novo coronavírus está afetando o mercado de eventos?
O mercado de eventos é altamente sensível às crises. Em todas as situações de crise econômica esse mercado é muito afetado. No caso do coronavírus o impacto é ainda mais severo, pois trata-se de um segmento diretamente ligado à aglomerações. Entendo que teremos 2 tempestades a atravessar. A primeira, durante a quarentena, onde a atividade será proibida, por gerar aglomerações. Mesmo que, depois de algumas semanas, o governo acene com a flexibilização do isolamento, a nossa atividade será uma das últimas a ser liberada. Passada a quarentena por completo vem a fase 2, onde o mercado ainda estará resistente a atividades envolvendo aglomerações, somado a uma forte crise econômica. Serão meses difíceis, mas acredito que tudo é aprendizado e que as mudanças nos tornarão mais preparados.

Qual a posição do Lajedo nesse momento, em relação aos funcionários, parceiros e clientes?
Funcionários: o Lajedo sabe de sua responsabilidade e decidiu pela não demissão. De imediato fechamos as portas por 15 dias e demos férias coletivas, mantendo apenas um plantão de atendimento. Iniciamos abril dando mais 30 dias de férias antecipadas para as áreas ligadas diretamente à realização de eventos e para os funcionários que dependem de transporte público. Os demais tiveram sua jornada de trabalho reduzida. Foram implantadas rotinas de distanciamento para as equipes essenciais de manutenção e jardim. E a equipe de vendas está trabalhando remotamente. Outra ação em prol da saúde de nossos colaboradores foi a doação de alimentos com insumos de nossa cozinha.

Parceiros: reduzimos os contratos de alguns fornecedores, reduzindo também o escopo dos seus serviços. Alguns mantivemos na integralidade. Nosso interesse é prosseguirmos em um relacionamento comercial que atenda ambas as partes.

Clientes: estamos remarcando todos os eventos que ocorreriam dentro do período da crise sem nenhum custo. Adiar sim, cancelar não é o que o mercado propõe. E isso vem sendo muito bem aceito por todos.

A palavra crise também quer dizer oportunidade. O que essa paralisação compulsória está ensinando às empresas de eventos?
Crises sempre geram oportunidade de rever processos e de se tornar melhor, mais ágil e mais eficiente. Também reforçam a necessidade das empresas estarem sempre bem estruturadas e preparadas para elas.

É difícil fazer previsões mas o que podemos esperar desse novo mundo pós-coronavírus?
Do ponto de vista dos negócios: digitalização, sustentabilidade, humanização e transparência. As soluções online para reuniões/vendas e a digitalização de processos, que se aceleraram na crise, crescerão exponencialmente oferecendo mais qualidade nas interações. Sustentabilidade e responsabilidade social, repensadas nesse momento, serão as novas exigências. Humanização e transparência ganharão força na hora do cliente decidir.

Quais as características que as empresas devem buscar para permanecerem relevantes para seus clientes em meio a tantas mudanças?
Acredito que o comportamento ético e humano, boa estrutura – em todos os aspectos, planejamento e dinamismo sejam características importantes para atravessar a crise e demonstrar confiabilidade para os clientes.

Os eventos presenciais vão perder espaço?
A curto prazo sim, mas a longo não. Creio que a longo prazo as pessoas vão aprender a extrair o melhor dos dois mundos. Reuniões virtuais quando eficiência e rapidez se fizerem necessárias e eventos presenciais quando o contato interpessoal ou a experiência dos 5 sentidos forem o mais importante. Uma coisa não substituirá a outra. Mas os dois formatos também podem ser combinados em novos modelos de eventos. O futuro dirá.

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2 Comments

  • Ivonesalene 14 abr, 2020

    Muito bom

  • Fabrícia Bonani 14 abr, 2020

    Excelente entrevista!

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